Dia: 2 de junho de 2020

  • História 4 – Sandro

    História 4 – Sandro

    Eu comecei a fumar na adolescência, não sei ao certo quantos anos tinha. Até então eu era esportista, jogador de vôlei, disputava campeonato mineiro, sei lá o que me deu na telha.

    Me lembro do dia até hoje. Encontrei um amigo que tinha um maço de cigarros e na minha família, em geral, algumas pessoas fumavam aquela marca de cigarro, não foi ele que ofereceu fui eu que pedi. Era só curtição, eu me sentia mais adulto, mais safo, na época ajudava com as garotas…

    Aos poucos o cigarro foi tomando conta, sorrateiro, silencioso, já não conseguia mais ficar sem ele, virou um amigo, um remédio para as tristezas e ansiedades.

    Mais tarde era como se nunca pudesse ficar longe, pensar na falta do cigarro trazia uma tristeza como se fosse um parente que faltasse.

    E, nessa, os anos se passaram; anos não, décadas. A balada já havia ficado para trás, já havia a família, filhos, trabalho de gente grande, mas o cigarro estava lá, fazia tanto parte da minha vida e da minha personalidade que eu não conseguia pensar em mim mesmo sem ele no bolso, não me sentia seguro sem ele.

    Meus filhos me cobravam muito que parasse, eu já tinha até tomado remédio para parar outras vezes, sabia plenamente dos malefícios, mas ainda não havia a substituição do “eu preciso” para o “eu quero parar”.

    Comecei a ficar isolado no meu vício, não fumava dentro de casa, não fumava no carro, não fumava muito no escritório, nas festas e bares tinha que me afastar, fui ficando “o dinossauro”, estava sempre incomodado com meu próprio cheiro – não tinha perfume que resolvesse.

    E aos 45 anos, a mudança aconteceu. Juntei principalmente o “eu quero” com um apoio médico, com um desafio muito legal de atividades físicas na empresa, com bastante determinação, muitas pessoas me ajudaram também, acho que eu então fiquei pronto para enterrar o meu amigo da vida e assim o fiz.

    Hoje ele está morto há quase um ano e, falando sério, amigo da onça foi tarde.

    Sandro Horta com a filha e a esposa no final de 2019, quando já tomara a “grande decisão”