História 3 – Débora

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Meu pai conta uma história heroica de como parou de fumar. Um dia abriu um maço de cigarros em uma obra, tirou um e foi trabalhar. Quando voltou, percebeu apenas dois cigarros no maço e brigou com todos os colegas. Naquele dia, ele decidiu que não compraria mais cigarros e assim parou de fumar. Mas tenho certeza, não foi tão fácil assim.

Minha memória de criança já é dele gordinho como hoje. Largar o cigarro acrescentou pelo menos 50 kg ao peso dele, mas com certeza o rejuvenesceu também e, na minha opinião, é mais bonito assim. Lembro bem das intolerâncias e crises de raiva em casa, que hoje entendo eram pela abstinência.

O mais difícil foi pra minha mãe, que ainda luta contra o vício. Sei o quanto ela sofreu com a mudança de estilo de vida do meu pai. Quando se casaram, fumavam juntos e não havia restrições ao cigarro em casa. Naquela época era comum, e até chique, exibir cinzeiros de louça na sala. Mas quando papai largou o vício, o cigarro virou um tabu em casa. Mamãe tinha que se esconder e ir longe no quintal para fumar, não podia ter cheiro de cigarro quando papai voltasse. Mas como tirar o cheiro que o fumante exala em seu corpo e roupas?!

Eu mesma fui a filha mais intolerante ao cigarro, briguei com ela diversas vezes, roubava e destruía os cigarros, me recusava a ir comprar, enfim, sei o quanto foi difícil para minha mãe. Ela teve oportunidade para lagar o vício; como as três gestações, por exemplo. Chegou a conseguir ficar sem fumar por 18 meses, mas sempre voltava. O ambiente de trabalho também ajudava, na escola em que trabalhava não havia restrições: as professoras tinham até uma salinha exclusiva para fumar nos intervalos das aulas.

Eu queria contar uma história de superação, mas ainda estamos no processo e a evolução é muito boa. Antes, ela fumava três maços diários e, hoje, conseguiu reduzir a um por semana. Sei que ela vai conseguir e dou meu apoio pra isso.

Nas viagens, ela tenta ficar sem o cigarro

E muitas vezes ela consegue…Na última, que foi a maior de todas (até agora), ela me fez conhecer a cidade de um jeito diferente: caminhamos mais de 3 km atrás da marca específica de cigarros que ela fuma, mas ela fumou apenas 2 cigarros a viagem inteira! Em outra época, eu iria confrontá-la dizendo que ela estava bem e que não precisava daquilo, o que certamente a deixaria chateada e com o sentimento de impotência que exprime desde sempre. Mas eu decidi respeitar o tempo dela e a minha mudança de abordagem tem ajudado mais e demostra o amor que sinto por ela.

Isso aí, dona Maria Alice, as pequenas vitórias são tão importantes quanto superar. Celebre-as!

O pai da Débora Silva se chama Florisvaldo Henrique de Oliveira, o índio pedreiro, como é conhecido. Sua mãe, a dona Maria Alice Silva de Oliveira, ou “tia Alice”.

6 respostas para “História 3 – Débora”

  1. Ei Débora! Mesmo que sua mãe ainda não tenha conseguido superar, ter o apoio da família é fundamental nesse processo. No momento dela, ela conseguirá!!!

  2. Ao ler a sua história a gente vê que é importante valorizar o passo a passo. Isso já é uma grande superação. Cada um é de um jeito e vence batalhas de uma forma. Parabéns por ser apoiadora e parceira!

  3. Parabéns pelo apoio Débora!! Família servindo de base e respeitando as escolhas!!
    Abraço pra toda família!!!

  4. Parabéns a vocês pela superação! Grato pelo aprendizado: às vezes só de mudar nosso olhar sobre algo, pode-se também achar uma bela oportunidade!!!

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